ÓGUI 10 anos

Sobre relatórios e estratégias de sustentabilidade

Sobre relatórios e estratégias de sustentabilidade

Há mais de 10 anos passo a maior parte das minhas horas de trabalho de novembro a março em conversas com diretores, vice-presidentes e presidentes de empresas importantes para a economia brasileira e protagonistas de seus setores. Nelas, falamos sobre gestão empresarial, contextos econômicos e políticos, alguns temas pontuais das organizações das quais fazem parte e suas opiniões sobre eles. Em alguns anos estão mais otimistas, em outros mais cautelosos, mas, do ponto de vista de profundidade das discussões, para mim são sempre aulas de gestão e planejamento.

O objetivo principal dessas reuniões é estruturar o conteúdo de relatórios de sustentabilidade, anuais ou de atividades, mas o que mais me agrada é perceber que os resultados delas vão além do produto relatório. Os questionamentos sobre por que a empresa existe e onde ela pretende estar no futuro colocam quase sempre uma nova pulga atrás da orelha desses líderes e, não raro, impulsionam novos comportamentos e atitudes deles e de suas organizações.

Ora, estou nesses encontros porque minha primeira habilidade é produzir conteúdo e me contratam para isso. Mas, ao longo de todo esse tempo, percebo agora, estou continuamente buscando aquilo que me motivou a escolher a carreira de jornalista e a abrir a ÓGUI – transformar o mundo em um lugar melhor de se viver, com mais transparência e mais respeito às diferenças.

Quando questiono um indicador de desempenho, ou busco a inter-relação entre um dado contábil e uma ação institucional, se apresento uma opinião coletada em um grupo específico de pessoas, ou faço uma pergunta para a qual não espero resposta imediata, em todas as situações estou tentando atuar como agente de mudança e, em última análise, buscando transformar o mundo.

Esse poder questionador e perturbador do processo de construção de relatos move a mim, mas prioritariamente deveria conduzir a agenda da sustentabilidade nas empresas.  É para isso que eu trabalho.

Os relatórios de sustentabilidade têm um papel inicial de consolidar a reputação (não a comunicação) de uma empresa e ser um registro confiável de dados para apoiar a gestão. Não obstante, é o seu processo de produção que pode ajudá-las a encarar de frente os seus desafios básicos, a revelar o seu real objetivo de existir (missão, propósito, ou a palavra da vez) e a encontrar o caminho da inovação que vai levá-la de fato ao que ela quer ser no futuro. Talvez, em breve, o relatório nem exista no formato que conhecemos hoje, mas a mudança que ele provoca é irreversível.

Somando-se a esse processo o desenvolvimento da capacidade das empresas de ouvir e de dar respostas transparentes às pessoas que interagem com elas, sejam clientes, consumidores, fornecedores, governo ou comunidade, o ciclo virtuoso da estratégia de sustentabilidade, ou do planejamento estratégico, como queira, estará vivo.